Como é a história da Acupuntura?

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Acupuntura: Uma Jornada Milenar

A acupuntura, uma prática medicinal rica em história, tem suas raízes mergulhadas nas profundezas da história asiática, particularmente na China, onde surgiram indícios de sua prática há mais de 5.000 anos. Alguns historiadores acreditam que suas origens remontam a cerca de 4.000 anos atrás.

Dentro dos ensinamentos da medicina tradicional chinesa, a acupuntura era vista como um método para restaurar a saúde, corrigindo desequilíbrios e desgastes do corpo causados por elementos externos como variações climáticas, emoções, hábitos alimentares e o processo natural de envelhecimento.

Nos tempos antigos, as doenças eram combatidas com as ferramentas disponíveis na época, incluindo dietas, chás de ervas, acupuntura, manipulação vertebral e massagens, entre outras práticas. Esses métodos evoluíram ao longo dos séculos, enriquecidos por crenças e filosofias de cada época.

Descobertas arqueológicas da Dinastia Shang revelaram instrumentos de acupuntura e inscrições médicas em ossos e carapaças de tartaruga. O primeiro texto médico significativo da medicina chinesa, ainda em uso hoje, é o “Nei Jing” ou “Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo”, datado do período dos Estados Combatentes.

O “Nei Jing” se tornou uma pedra angular para o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa, dividindo-se em dois volumes que cobrem desde técnicas de exame físico até diagnóstico e tratamento com agulhas e moxas. A relevância desse texto é tamanha que cerca de 60% dos pontos nele mencionados ainda são usados atualmente.

Interessantemente, um recente lançamento literário durante um congresso da Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura destacou a permanência de muitas técnicas de acupuntura, anteriormente citadas no “Nei Jing”, nas práticas médicas contemporâneas.

A história da acupuntura na China é marcada por altos e baixos. Durante a dinastia Tang, houve um grande avanço, com a criação do Colégio Imperial de Medicina. Anos mais tarde, na dinastia Song, um modelo de ensino inovador foi introduzido: o “Homem de Bronze”, uma estátua para treinamento de acupunturistas.

Com o apogeu da acupuntura na dinastia Ming, a medicina chinesa foi organizada em várias especialidades, muitas das quais correspondem às atuais. Entretanto, houve um declínio na prática durante a dinastia Ching, devido à influência crescente da medicina ocidental e a decisões políticas que restringiram seu uso e ensino.

Foi somente com Mao Tsé Tung e a formação da República Popular da China que se iniciou um movimento para integrar a medicina tradicional chinesa e a ocidental. A partir da década de 1950, a acupuntura começou a ser reconhecida por seus efeitos analgésicos, especialmente em cirurgias, marcando o início de sua utilização em anestesia.

Em 1955, a acupuntura foi oficialmente reconhecida e igualada à medicina ocidental na China. Posteriormente, a prática foi promovida e adaptada para incluir conhecimentos médicos modernos.

No Brasil, a trajetória da acupuntura também foi significativa. Introduzida no Sistema Único de Saúde na década de 1980, ela foi reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina em 1995 e pela Associação Médica Brasileira em 1998.

A acupuntura continua evoluindo e se integrando às práticas médicas modernas, com pesquisas e estudos científicos validando sua eficácia e explorando seus mecanismos de ação. Hoje, é uma especialidade médica respeitada e praticada mundialmente, incluindo no Brasil, onde se tornou uma especialidade reconhecida e valorizada.

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